O computador está fechado, o telefone deveria estar de lado e o dia já acabou. Mesmo assim, você continua repassando uma conversa, antecipando o que pode dar errado amanhã ou lembrando de mais uma tarefa. Por fora, é hora de descansar. Por dentro, o expediente continua.
nO que acontece quando você tenta parar?
nTalvez apareça a sensação de estar esquecendo alguma coisa. Talvez a pausa venha acompanhada de culpa. Em outros momentos, o silêncio torna mais perceptível algo que a rotina ocupada vinha deixando de lado.
nEssas situações, por si só, não definem um diagnóstico. Elas podem ajudar a formular uma pergunta sobre a sua experiência: o que está ocupando tanto espaço? Em quais momentos isso acontece? Como isso tem atravessado seu descanso, suas relações e suas escolhas?
nUma lista nem sempre mostra tudo o que você carrega
nHá tarefas visíveis, como entregar um projeto ou buscar uma criança na escola. Há também o trabalho de lembrar, organizar, antecipar e se responsabilizar por fazer tudo acontecer. Quando esse esforço fica concentrado em uma pessoa, pode ser difícil até explicar por que se sente tão ocupada.
nUma conversa sobre sobrecarga pode incluir relações, expectativas, condições de trabalho e responsabilidades de cuidado. O assunto não se resume à habilidade de organizar melhor uma agenda.
nTalvez a pergunta não seja apenas “o que falta fazer?”, mas “como ficou combinado que tudo isso depende de mim?”.n
Começar por uma situação concreta
nEm vez de tentar explicar a vida inteira, você pode descrever uma cena: o domingo em que já estava pensando na segunda, a pausa interrompida pela mensagem do trabalho ou a discussão que continuou acontecendo na sua cabeça. O que você pensou, sentiu e fez naquela situação pode abrir caminhos de conversa.
nNão é preciso transformar essa observação em mais uma obrigação. Ela pode ser apenas uma forma de colocar em palavras algo que tem se repetido.
nO que pode entrar na psicoterapia
nNa psicoterapia, essas experiências podem ser conversadas considerando sua história e seu contexto. O profissional escuta o que motivou a procura e explica a proposta de acompanhamento. Não há uma resposta única, nem a promessa de eliminar todo desconforto.
nSe essa é uma experiência importante no seu momento, você pode apresentá-la à equipe ao perguntar sobre atendimento. A primeira conversa pode começar justamente pela dificuldade de encontrar palavras para o que está acontecendo.
Referência para esta leitura: Código de Ética Profissional do Psicólogo · CFP.
Conteúdo educativo. As situações descritas são ilustrativas e não representam relatos de pacientes.

