Pessoa em um momento de pausa junto à janela em São Paulo. Fotografia ilustrativa de Jonathan Goncalves.
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Leituras Ônix

Quando a cabeça não desliga, até o descanso fica difícil

O expediente termina, mas a lista de pendências continua. Um olhar para a rotina, a sobrecarga e aquilo que fica sem espaço.

Vida cotidiana3 min de leitura

O computador está fechado, o telefone deveria estar de lado e o dia já acabou. Mesmo assim, você continua repassando uma conversa, antecipando o que pode dar errado amanhã ou lembrando de mais uma tarefa. Por fora, é hora de descansar. Por dentro, o expediente continua.

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O que acontece quando você tenta parar?

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Talvez apareça a sensação de estar esquecendo alguma coisa. Talvez a pausa venha acompanhada de culpa. Em outros momentos, o silêncio torna mais perceptível algo que a rotina ocupada vinha deixando de lado.

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Essas situações, por si só, não definem um diagnóstico. Elas podem ajudar a formular uma pergunta sobre a sua experiência: o que está ocupando tanto espaço? Em quais momentos isso acontece? Como isso tem atravessado seu descanso, suas relações e suas escolhas?

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Uma lista nem sempre mostra tudo o que você carrega

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Há tarefas visíveis, como entregar um projeto ou buscar uma criança na escola. Há também o trabalho de lembrar, organizar, antecipar e se responsabilizar por fazer tudo acontecer. Quando esse esforço fica concentrado em uma pessoa, pode ser difícil até explicar por que se sente tão ocupada.

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Uma conversa sobre sobrecarga pode incluir relações, expectativas, condições de trabalho e responsabilidades de cuidado. O assunto não se resume à habilidade de organizar melhor uma agenda.

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Talvez a pergunta não seja apenas “o que falta fazer?”, mas “como ficou combinado que tudo isso depende de mim?”.
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Começar por uma situação concreta

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Em vez de tentar explicar a vida inteira, você pode descrever uma cena: o domingo em que já estava pensando na segunda, a pausa interrompida pela mensagem do trabalho ou a discussão que continuou acontecendo na sua cabeça. O que você pensou, sentiu e fez naquela situação pode abrir caminhos de conversa.

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Não é preciso transformar essa observação em mais uma obrigação. Ela pode ser apenas uma forma de colocar em palavras algo que tem se repetido.

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O que pode entrar na psicoterapia

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Na psicoterapia, essas experiências podem ser conversadas considerando sua história e seu contexto. O profissional escuta o que motivou a procura e explica a proposta de acompanhamento. Não há uma resposta única, nem a promessa de eliminar todo desconforto.

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Se essa é uma experiência importante no seu momento, você pode apresentá-la à equipe ao perguntar sobre atendimento. A primeira conversa pode começar justamente pela dificuldade de encontrar palavras para o que está acontecendo.

Referência para esta leitura: Código de Ética Profissional do Psicólogo · CFP.

Conteúdo educativo. As situações descritas são ilustrativas e não representam relatos de pacientes.

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